Publicado por: bicicletanarua | 5 dezembro 2010

(Detalhes) Castello Branco, município catarinense

O texto abaixo é uma parte de uma matéria publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense, em 05 de dezembro de 2010 (pág. 48). Trata de alguns dos números divulgados pelo Censo realizado em 2010, que mostram o esvaziamento nas cidades do oeste catarinense. Como símbolo da desigualdade social em um desses municípios, uma bicicleta sem pneumáticos ilustra a situação de uma dessas famílias. Você pode ler a matéria completa no site do DC aqui.

CENSO 2010

Cidades e vidas mais vazias e sem esperança

As terras férteis e baratas da região de Castello Branco, que no passado atraíram imigrantes que fugiam da crise econômica do Rio Grande do Sul, estão mais vazias. Cerca de 337 pessoas a menos, se comparado o censo de 2000 com o de 2010, que viviam no município, não foram encontrados pelos recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Oficialmente, o motivo da queda da população é a perda da área de Linha Carmelinda, que hoje pertence ao município de Ouro. Esta é a justificativa do prefeito da cidade, Claudio Sartori, embora reconheça outros itens como responsáveis pela queda do número de habitantes da cidade fundada em fevereiro de 1964.

– Muitos partiram em busca de emprego, pois a vida na agricultura é difícil e temos enfrentado problemas como diminuição das safras por causa das estiagens – diz Sartori.

Como forma de reação, a atual administração planeja investimentos na área do turismo. Com isso, aproveitaria o potencial da água mineral que se encontra no solo e perto da superfície. Um balneário planejado geraria empregos para cerca de 250 empregos em um período de cinco anos. O custo do projeto é de R$ 2,7 milhões e, a execução, através de financiamento.

A cidade é pequena e mostra que a renda está concentrada. As famílias são de origem italiana e a região central é bem cuidada. A cidade fica na microrregião de Concórdia e tem uma área de 70 quilômetros quadrados. Não existem empresas e a indústria de calçados fechou sete anos atrás. Por isso, há 37 famílias cadastradas no Bolsa Família. Moradias bem cuidadas contrastam com casas sem estrutura, como algumas situadas na Via Taquaral. Os Mello são exemplo da carência em que vivem alguns moradores. É um lugar sem saneamento, e a água que abastece o local é puxada por mangueiras de uma nascente. Em períodos de seca, seca total.

O menino Leonardo vive na Via Taquaral, que não tem nenhuma infraestrutura. Foto: DC.

José Marinho Mello corta lenha e trabalha como diarista nas roças. Sua companheira, Luiza Aparecida dos Santos, o ajuda a criar três filhos, com oito, 13 e 15 anos. A mãe dos meninos morreu. Luiza está “fichada” em uma agroindústria de Concórdia. A família também foi cadastrada em um programa de habitação.

Falta de um emprego fixo, de saneamento e água encanada e a renda insuficiente. Nada representa tanto a pobreza da família Mello quanto os pneus da bicicleta de Leonardo. Ou melhor: a falta deles. Não tem pneus ou freio. Um fio faz o lugar dos freios nas brincadeiras do menino.

Ângela Bastos

(Detalhes) é a série de postagens que mostra como a bicicleta, silenciosa e com pouco espaço que ocupa, está presente em nosso cotidiano, mesmo que não a reparemos.

Veja outras postagens de (Detalhes).

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